QUAIS OS IMPACTOS DA INDUSTRIA DA MODA NO MEIO AMBIENTE?

A moda é uma manifestação cultural , uma forma de expressão individual, e também da sociedade a qual está...

Angela Designer - 10 de julho de 2022
QUAIS OS IMPACTOS DA INDUSTRIA DA MODA NO MEIO AMBIENTE?



A moda é uma manifestação cultural , uma forma de expressão individual, e também da sociedade a qual está inserida. É um retrato das sociedades ao expressar seus hábitos, costumes e valores.
Este conceito de expressão cultural, vai e volta, juntamente com os movimentos sociais, políticos e culturais das sociedades.

FILOSOFIA MINIMALISTA E ECOLÓGICA

Originado na Itália, na década de 80, o movimento slow surgiu junto com o slow food, em contraposição ao fast food.

Slow living , literalmente significa, viver lento… E tem como objetivo promover um estilo de vida mais lento, consciente e harmonioso. Segundo esse conceito, é preciso parar para apreciar as coisas simples da vida e valorizar as relações humanas.

Porém os valores do slow food, respeito ao tempo da natureza, valorização do local e do pequeno e valorização das relações, foram incorporados por outros setores da vida e da sociedade, que também perceberam o movimento que alguns estudiosos chamam de “aceleração social do tempo”, que busca uma relação mais ecológica e harmoniosa do ser humano com os recursos humanos e naturais.

A filosofia do Slow, se estendeu a inúmeros setores, incluindo o design de projetos de interiores, e todas as áreas deste movimento se alinham não somente ao minimalismo material, e poupar a natureza, mas também à valorização do relógio natural humano e das coisas simples da vida, como o estilo slow Living que postei aqui,https://casaraizesdobrasil.com.br/qual-o-conceito-de-slow-living-no-design-de-interiores/ como usufruir desses valores, e também na arquitetura e dimensões das moradias, como as Tiny House (mini casa em inglês) que consiste em um estilo de vida hiper minimalista e que reflete no tamanho das casas e em toda a experiência de moradia, leia mais aqui https://casaraizesdobrasil.com.br/conhecam-as-casas-incriveis-estilo-tiny-house-e-fuja-da-crise/
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E é óbvio que a moda também sofreu essa influência!

A MODA FAST FASHION

Desde 1990, a inserção da ideia do “Fast Fashion“, ou moda rápida em português, onde a fabricação de roupas em larga escala seguindo tendências, focada na padronização das mesmas e no consumo em massa, com consequente diminuição de qualidade e durabilidade são aspectos característicos desse ciclo produtivo.

Percebem? O Movimento possui o mesmo discurso. Naturalmente um reflexo da sociedade, porém, mais como uma resposta ao empobrecimento e crises, do que preocupação relevante com a “natureza”, cujo selo verde não passa de mais um marketing, atendendo interesses políticos e econômicos. Assim, a moda atual, é o slow fashion.

TROQUE O FAST FASHION PELO SLOW FASHION

O fast fashion, como o próprio sugere, caracteriza-se por uma cadeia produtiva ágil e rápida. Sendo assim, sua produção é em larga escala e há uma intensa rotatividade nas tendências lançadas. Ademais, há um barateamento na matéria prima e na mão de obra o que reflete no preço final.
Pois, para que os processo ocorra dessa forma acarreta-se inúmeras consequências negativas. Como por exemplo, o incentivo ao trabalho escravo, gera-se mais poluição do que a fabricação de peças comuns e pelas peças terem um ciclo de vida tão curto, há um grande problema relacionado ao descarte.

A aderência do Fast Fashion no atual conceito de moda também implica em consequências diretas relacionadas às pessoas que estão inseridas nesse ciclo produtivo, uma vez que a ideia de sustentabilidade se apresenta como um equilíbrio entre três esferas do desenvolvimento: social, econômico e ambiental.

A tendência pela produção rápida e com custos menos elevados faz com que o perfil do trabalhador tenha mão de obra mais barata e ao mesmo tempo mais produtiva gerando ambientes impróprios e condições insalubres de trabalho e trazendo crianças à situações de ilegalidade.

Já o slow fashion aparece na contramão da ideia do fast fashion. Uma vez que o norte desse tipo de produção pode ser sustentabilidade e o consumo consciente.
Portanto, há uma preocupação desde o início ao fim da cadeia produtiva.
Assim, muitos prezam-se por matéria prima de qualidade, processos que impactam menos o meio ambiente. Como também há pagamento de forma justa a força de trabalho.
Fomenta-se a economia local e, por fim, há uma preocupação com o descarte.

O slow fashion  tem uma filosofia de moda muito mais ética e sustentável mas como é produzido em baixa escala e de forma lenta não focado em tendências de moda, esse sistema não tem como empregar tanta gente como a indústria do fast fashion.

Hoje em dia, as pessoas mais conscientes estão abraçando o slow fashion mas sejamos realistas, a imensa maioria das pessoas no mundo são pobres e ganham muito pouco, e para elas a melhor alternativas é justamente o fast fashion.

DICAS DO BLOG PARA AS MULHERES

Cuidado para não entrarem no extremismo. Pois a maioria desses movimentos possui intenção política dos oligarcas da produção da moda. Neste mundo pós pandemia, e o empobrecimento dos povos, a economia se faz necessária.

Agregando à crise mundial, há o movimento da quarta revolução industrial, promovida pela Agenda 2030 ONU, onde o tema sustentabilidade, é imposto nos 17 selos.

Paralelo a esta agenda vem outra colada, chamada ESG, que é um conjunto de normas reguladoras da produção, visando a sustentabilidade, mas se lermos com o cuidado devido, a proposta é o fim dos pequenos produtores.

Que sustentabilidade é esta que deixariam milhares desempregados? Que sustentabilidade é esta que deixariam milhares de cadeias produtivas, maquinários, e pequenos empresários falidos?

E, se encarecemos o processo produtivo, quem poderá comprar uma “roupa sustentável? ” 

Uma coisa é certa, se a roda do consumo começa a girar mais devagar todo o setor industrial do país sente o baque e com isso milhões de pessoas podem perder seus empregos, o que alimenta ainda mais a crise e com isso um círculo vicioso de auto destruição se instala. Eu não vejo sustentabilidade numa economia de baixo consumo pois se as pessoas não querem comprar, as empresas não contratam e também não investem em novas tecnologias e inovação.

Percebem como esta palavra romântica, tem que ser muito bem pensada antes de ser dita e principalmente aplicada? O ser humano precisa ser o primeiro a ser beneficiado. Não podemos perder este foco.

Sempre fui uma pessoa que preza mais por qualidade do que quantidade. E tenho sapatos de 20, 30 anos de “idade”, acreditem. Por que? Porque foram confeccionados com um design, materiais diferentes. E por muitos anos, fiquei sem poder de compra, mas sempre me vestindo bem, pela qualidade das roupas. Então… Parem, reflitam, e antes de entrarem em algum movimento, prestem atenção nos fundamentos. Principalmente se for proprietária de uma confecção, ou loja. Combinadas?

Portanto, se quiser montar um negócio, sugiro uma confecção de roupas, de produção artesanal. Assunto do próximo post!

Um Abraços meninas poderosas!

Cordialmente,
Angela Camolese Nespoli
Designer de Interiores e Home Stager